Meu nome é Luciano, cresci jogando futebol com os amigos na rua, na escola gostava das aulas de basquete, vôlei, pratiquei capoeira muitos anos, enfim, o esporte sempre esteve presente em minha vida.
No entanto, aos 41 anos, em uma noite normal acordei com um dor muito forte nos braços e mãos que tive dificuldade de me levantar, então, fui ao pronto socorro fiz alguns exames ortopédicos e tomei injeção para dor. Obviamente melhorou, porém no dia seguinte as dores no braço voltaram com a rigidez nas mãos.
Então, procurei novamente um ortopedista que ao analisar o quadro orientou a procurar um reumatologista, pois não havia nada ortopédico nos exames e análises feitas, então, seguindo a orientação e fui diagnosticado com artrite reumatoide, uma doença autoimune que ataca meu próprio corpo.
No início o diagnóstico foi um choque. As crises e dores eram constantes, o que além do incômodo trazia junto uma ansiedade de como seria a vida dali para frente.
As informações que buscava não eram das mais otimistas, mas em uma noite de dores fortes que não conseguia dormir peguei o livro Correr do Dr. Drauzio Varela, onde ele falava sobre a prática da corrida de rua e as mudanças que tinham feito em sua vida.
Em especial, o trecho que ele falava sobre o desafio de preparar-se para fazer uma Maratona, onde fica clara a necessidade de disciplina na preparação que traz como consequência benefícios da necessidade de levar uma vida mais saudável para suportar os treinos, o que me chamou a atenção, pois vislumbrei ali uma forma de prolongar uma vida normal pelo maior tempo possível, como eu já praticava corrida de rua, verdade que em distâncias bem menores, decidi ali que iria me inscrever para uma maratona e fiz na mesma hora e, obviamente com minha experiência de corredor escolhi data e prova errados.
Acreditava uma vida saudável poderia me trazer energia e dar qualidade de vida no tratamento, apesar dos dias marcados por dores nas articulações, fadiga constante e preocupações sobre como a doença afetaria meu futuro, os médicos foram claros: precisaria diminuir o ritmo, evitar esforços excessivos e aprender a conviver com as limitações.
Mas não queria renunciar ao que amava e acreditava realmente que o esporte me ajudaria. Decidido a não me render, procurei maneiras de continuar ativo sem prejudicar sua saúde. Tive a indicação de um reumatologista que começou a adaptar meu tratamento com minhas atividades.
Em paralelo, busquei uma assessoria de corrida, além de orientações com fisioterapeuta com o objetivo de entender e proteger minhas articulações com a prática do esporte. Com o tempo fui aprendendo a escutar meu corpo.
Em dias bons, aproveitava para praticar atividades mais vigorosas; nos dias ruins, concentrava-se em manter os treinos mais leves, porém mantendo me ativo.
Descobriu que o exercício, não apenas ajudava a manter seu corpo forte, mas também contribuía para meu bem-estar mental, aliviando o estresse e melhorando meu humor.
Ao invés de deixar a artrite definir minha vida, encontrei uma maneira de viver com ela, integrando o esporte à sua rotina de forma segura e saudável.
Estou indo para minha 10ª Maratona pós diagnóstico e contínuo ativo, buscando manter os cuidados e adaptações necessárias que a artrite reumatoide exige e a cada conquista me sinto mais forte e em paz consigo mesmo.
Esses dez ciclos de maratona trouxeram muitas descobertas, momentos complicados que foram dando consciência de coisas que preciso ajustar e adaptar para ter uma vida longa no esporte, o que passarei a contar em histórias dedicadas a cada ciclo e descoberta, com a intenção de auxiliar e apoiar eventuais pessoas que tenham algum tipo de doença autoimune ou simplesmente queira ter uma vida mais saudável, lembrando que são experiências pessoais.