O tratamento medicamentoso, aliado a um estilo de vida saudável e algumas mudanças no dia a dia, pode auxiliar no controle da atividade inflamatória e potencializar os efeitos do tratamento médico adotado.
Adotar hábitos saudáveis, como reduzir ou evitar o consumo de álcool e tabaco, manter um peso adequado e praticar atividade física regularmente, são fatores essenciais para um melhor controle da doença e para a melhoria da qualidade de vida.
Além disso, a alimentação equilibrada tem um papel fundamental na manutenção do peso saudável, na prevenção de outras doenças e na redução das complicações associadas à artrite.
A seguir, compartilho algumas estratégias que adotei em conjunto com o meu tratamento médico. Atualmente, faço uso de um medicamento biológico (Remicade – Infliximabe), que inicialmente era administrado a cada oito semanas e, recentemente, passei a tomar a cada dez semanas. Essa ampliação no intervalo de aplicação foi uma grande vitória – algo que falarei em outro texto –, mas que só foi possível graças à mudança de estilo de vida que implementei ao longo do tempo.
1. Alimentação Anti-inflamatória
Com a orientação de um nutricionista, descobri que tenho intolerância ao glúten e à lactose, o que me levou a excluir esses alimentos da minha rotina. Quando consumo algo com glúten, percebo rapidamente a diferença no meu corpo.
Eliminar o glúten teve um impacto direto não apenas no tratamento da artrite, mas também no controle do peso, pois percebi que meu corpo estava constantemente inchado devido à inflamação causada por ele.
Hoje em dia, há muitas opções de pães e massas sem glúten, o que torna essa substituição mais fácil. O mesmo vale para os laticínios: opto por leite de soja, que tem diversas alternativas disponíveis no mercado. Lembro que, há alguns anos, as opções eram limitadas e a maioria dos produtos sem glúten não tinha um sabor muito agradável (risos).
Além disso, passei a incluir frutas, legumes e verduras na minha alimentação diária, além de proteínas e carboidratos essenciais para manter minha energia nos treinos. Também reduzi o consumo de alimentos ultraprocessados, o que tem ajudado a controlar a inflamação no corpo.
2. Suplementação Natural
Além da alimentação saudável, faço uso de alguns suplementos que ajudam a reduzir a inflamação, sempre com orientação profissional. Atualmente, utilizo gengibre, ômega 3, magnésio, vitamina D, creatina e glutamina, conforme recomendação da minha nutricionista e alinhado com meu reumatologista.
3. Controle do Peso
Manter um peso saudável reduz a sobrecarga nas articulações, especialmente nos joelhos, quadris e tornozelos. Além disso, auxilia na mobilidade e contribui para uma melhor qualidade de vida de maneira geral.
4. Atividade Física
Manter o corpo em movimento é essencial! Caminhada, natação, yoga, corrida, musculação… O importante é escolher uma atividade física que você goste e possa praticar regularmente.
A atividade física oferece inúmeros benefícios tanto para o corpo quanto para a mente. No aspecto físico, melhora a circulação sanguínea, fortalece músculos e ossos, reduz a inflamação e auxilia no controle do peso. No aspecto mental, contribui para o alívio do estresse, melhora o humor com a liberação de endorfinas e pode até ajudar a reduzir sintomas de ansiedade e depressão – condições comuns em pacientes com doenças autoimunes.
Além disso, manter-se ativo fortalece o sistema imunológico e melhora a qualidade do sono, proporcionando mais disposição no dia a dia.
5. Técnicas de Relaxamento
O estresse e a tensão emocional podem ser gatilhos para crises de artrite. Percebendo isso, comecei a explorar práticas como meditação e respiração profunda.
Apesar de ainda ter dificuldade, venho tentando inserir a meditação na minha rotina diária. Com consistência, já noto alguns resultados positivos. Hoje, há diversos conteúdos na internet e aplicativos que ajudam a guiar a prática da meditação, o que facilita bastante o processo.
6. Sono de Qualidade
Criar uma rotina de sono ajuda a reduzir o impacto do estresse no corpo. Algumas estratégias que adotei incluem:
- Evitar o uso de telas pelo menos uma hora antes de dormir;
- Optar por refeições leves no jantar;
- Buscar atividades relaxantes antes de dormir.
No meu caso, troquei o celular pela leitura de um livro mais leve, o que tem funcionado muito bem para me ajudar a relaxar antes de dormir.
7. Rede de Apoio
Ter uma rede de apoio é fundamental, principalmente no início do diagnóstico, quando tudo é novo e pode gerar insegurança. Contar com o suporte da família, amigos, médicos e até mesmo fazer terapia pode ser essencial para lidar com os desafios emocionais da doença.
Como mencionei anteriormente, o emocional tem um grande impacto sobre as crises da artrite. De nada adianta manter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios físicos se a saúde mental estiver fragilizada. O bem-estar emocional é tão importante quanto a saúde física no tratamento da artrite reumatoide.
Essas são algumas das estratégias que adotei na minha rotina e que funcionaram para mim.
Compartilho essas experiências na esperança de que possam ajudar outras pessoas que estejam passando por situações semelhantes.
Vale lembrar que cada caso é único e todas as mudanças devem ser acompanhadas por profissionais da saúde, que poderão indicar as melhores estratégias para cada pessoa.